segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Manutenção correta ajuda a prevenir entupimentos na pia da cozinha

A pia da cozinha entupiu ou a água está demorando para escoar? Isso pode ser sinal de que você se descuidou da manutenção da caixa de gordura. Mas você sabe o que é e para que serve esse equipamento? Ela é como um grande balde, que fica abaixo do piso, deixando ver apenas a tampa. Sua função é impedir que a gordura dos alimentos - que vai com a água literalmente ralo abaixo - chegue à rede de esgoto. 

A caixa de gordura tem as medidas calculadas pelo engenheiro, no momento do projeto do imóvel, levando em conta o número de pessoas que vão usar a cozinha. Na caixa há uma quantidade pré-determinada de água, que serve como "filtro" da água gordurosa que vem da pia da cozinha e da máquina de lavar louças. Esse líquido oleoso entra por um tubo, cai na água que já está no dispositivo e sai pelo lado oposto, sem a gordura. "Como água e óleo não se misturam, devido ao tempo de passagem, a gordura boia e só a água passa", resume engenheiro civil José Roberto Scarpetta Alves. 

desentupimento caixa de gordura

desentupimento de pia


Manutenção

As caixas de gordura são comumente feitas de concreto ou de plástico PVC. Elas possuem tampa removível para facilitar a limpeza. Nela, a sujeira se apresenta como uma espécie de "casca" e deve ser retirada, ensacada e jogada no lixo orgânico. O procedimento deve ser feito de seis em seis meses em casas, e de três em três meses em prédios, e pode ser realizado por empresas especializadas ou com o uso de bactérias que "comem" a gordura. Essas bactérias são vendidas em formato de farelo seco embalados em potes plásticos e são encontradas em lojas especializadas. É importante destacar que os resíduos que sobrarem da limpeza da caixa não devem ser jogados na rede de água novamente – como no vaso sanitário. Isso pode provocar entupimento do sistema. 

O engenheiro alerta que, mesmo com o uso das bactérias especiais, é obrigatório fazer pelo menos uma higienização anual da caixa de gordura. 

Para facilitar a remoção da gordura da caixa até o saco de lixo, alguns modelos do dispositivo vêm com uma cesta de limpeza. 


Gordura no ralo da pia 

O cuidado com a gordura no ralo da pia é importante porque o excesso do material pode levar ao escoamento lento da água, a entupimentos da tubulação e ao mau cheiro. Em casos extremos, pode haver transbordamento da caixa de gordura - quando a limpeza não é feita no período correto - ou volta do líquido sujo pelo ralo da pia - o que ocorre quando a caixa está cheia e a água que chega nela não consegue seguir adiante, ou seja, retorno por onde entrou. 


Cuidados preventivos 

Mas vale o ditado de que não sujar é melhor do que limpar. Scarpetta explica que a caixa só retém a gordura que consegue chegar até ela. Antes disso, porém, o óleo que desce com a água pela pia vai se acumulando na tubulação. Com isso, pedaços de alimentos, como grãos de arroz, podem acabar aderindo à parede do cano também, em um processo que se repete. "Esse material acaba criando uma espécie de bola, que diminui a vazão da tubulação e faz a água da pia demorar para escoar", continua o engenheiro. 

O conselho para evitar essa situação é não jogar restos de comida na pia, descartando o que sobra dos pratos e panelas na lixeira, antes de lavar a louça. "Passar papel toalha na superfície do utensílio, retirando todo o excesso de gordura antes de lavá-lo, também ajuda a evitar essa situação, além de economizar água", ensina. 

Outra dica é jogar cerca de dois litros de água fervendo na pia depois de lavar a louça - "o tubo resiste", garante o engenheiro. O líquido quente vai descolando a gordura grudada na tubulação. 

O desentupimento pode ser feito, ainda, com produtos à base de soda cáustica (à venda em lojas especializadas e na seção de limpeza de grandes supermercados). O químico é jogado no ralo da pia, age por alguns minutos e depois é limpo com água corrente, sem que a pessoa encoste nele. "É meio perigoso e tóxico, devendo ser usado longe de crianças e com muito cuidado", alerta Scarpetta. E usar refrigerante a base de soda, como os refrigerantes de cola, funciona? "Não é cientificamente comprovado", diz. 


Caixa de gordura x caixa sifonada 

Scarpetta aponta uma situação em que o problema de escoamento de água pode ser mais difícil de resolver do que com uma simples limpeza: o caso da caixa sifonada. O equipamento, que serve para recolher a água do chuveiro em casa, por exemplo, às vezes é usado em substituição à caixa de gordura como uma medida de economia, já que é mais barato. O especialista alerta que isso é "totalmente inadequado". "O volume de retenção é muito pequeno e há tendência de encher mais rápido, além de as duas caixas funcionarem de maneiras diferentes", explica o profissional. "A tubulação de entrada da caixa sifonada também é menor do que deveria, e a velocidade com que a água passa não é suficiente para separar água e gordura, ou seja, a caixa se torna ineficiente", completa. 

Segundo o engenheiro, em caso de entupimento ou demora no escoamento da água da pia, o indicado é limpar a caixa de gordura. Se não for possível, ou se a caixa for sifonada e não houver possibilidade de trocá-la pela de gordura, ele aconselha a jogar água quente direto na caixa. "E evitar encher a pia de gordura novamente", finaliza. 

Fonte: Hagah / Bonde

Economia circular: criando negócios sustentáveis

economia circular

Um dos principais desafios dos executivos atualmente é como tornar o seu negócio mais sustentável. Nesse sentido, percebemos que os avanços mais importantes são alcançados graças a temas e atividades vinculadas ao conceito de economia circular. Essa é a estratégia mais simples e direta para reduzir o desperdício dos recursos – uma vez que sua atuação se amplia para toda a cadeia de valor – e para gerar novas oportunidades de negócios.
Economia circular é manter os recursos em uso o maior tempo possível, minimizar sua disposição, utilizá-los da maneira mais eficiente possível, recuperar e regenerar produtos e materiais em todo o seu ciclo de vida. O modelo exige mudanças substanciais em termos de tecnologia e, principalmente, de comportamento de todos nós.
Para isso, o pensamento circular não deve ser limitado às operações internas de uma empresa. Um conceito de economia circular atuante tem de considerar o produto, o processo, o uso e o seu sistema de reutilização desde a concepção. Ele deve incentivar as empresas a pensar não somente em sua etapa de produção individual, mas considerar toda a cadeia de valor para o seu desenvolvimento, uso, descarte e reúso de produtos.
No setor de transporte, as tendências de conectividade, a condução autônoma e o aumento de carros elétricos devem permitir aos fornecedores de serviços de mobilidade oferecer opções de transporte coordenado.
Já as mudanças na cadeia da agricultura, provavelmente, seriam menos disruptivas. As inovações nos sistemas de tecnologia de informação podem facilitar a agricultura de precisão e criar a oportunidade de coordenar as cadeias de suprimento totalmente digitalizadas, o que reduz a quantidade de desperdício de alimentos ao longo de toda a cadeia.
Finalmente, na cadeia da construção, já vemos a influência das novas tecnologias, como a impressão 3D e os processos de construção industrial na fábrica, o que significa que desde o desenvolvimento dos materiais se procura economizar recursos como água e energia, por exemplo.
A economia circular afeta as empresas, produtos e serviços de diferentes maneiras. A Basf, como líder mundial em inovação, não é alheia às tendências globais e, por isso, desenvolveu duas táticas em uso na América do Sul que exemplificam essa ideia.
A Keep it Smart é o uso inteligente das soluções para aumentar a eficiência dos processos em toda a cadeia e tornar os produtos mais eficazes. Uma amostra disso é o conceito Verbund. O sistema cria cadeias de valor eficazes desde os químicos básicos até produtos de valor elevado. Para produzir essa variedade de soluções, os coprodutos de uma planta são utilizados como matérias-primas de outra – garantindo um menor consumo de energia, menos resíduos e, como consequência, a preservação de recursos.
Já a tática Close the Loops refere-se aos resíduos e coprodutos transformados em recursos que podem ser reaproveitados no mesmo processo ou alterados a fim de contribuir para processos diferentes. Um exemplo disso é a reutilização dos metais preciosos recuperados após o fim da vida dos catalisadores automotivos.
A transição de uma economia linear para um modelo circular traz alterações significativas nos modelos de negócios e nas atividades de muitas indústrias. O grau e a velocidade de “circularidade” dependerão do ritmo de desenvolvimento tecnológico, dos incentivos regulatórios, dos novos modelos de negócios, da disponibilidade de investimentos e da disposição dos consumidores e do setor empresarial para mudar seu comportamento.

A água brasileira corre para as multinacionais

Por Flávio José Rocha da Silva*, no site do Fórum Mundial Alternativo das Águas, FAMA
Uma corporação canadense já controla o abastecimento de 17 milhões de brasileiros. Outras estão à espreita numa privatização tramada sem nenhum debate com a sociedade
A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal, mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta lista.
Antes já comprovadamente explorada na irrigação e dando base para o que hoje é chamado de “exportação da água virtual” com a venda de frutas e de soja para fora do país (há outros itens, mas estes são os mais relevantes), o controle dos recursos hídricos avança no país por parte das multinacionais. A água nossa de cada dia já gera, há muito tempo, lucro para alguns grupos econômicos estrangeiros vindos de países sem a mesma abundância em mananciais como tem Brasil. Há razões para essas empresas se instalarem aqui no nosso país. Basta afirmar que para produzir 1 quilo de banana são gastos 790 litros de água, segundo o site da Waterfootprint [1] (organização que mede o gasto de água para produzir alguns alimentos e produtos). No caso da soja, para produzir 1 quilo desta leguminosa são necessários 1.500 litros de água. Adivinhe o nome do país que se tornou o maior produtor de soja no mundo.
Sobre a apropriação da água para a fruticultura irrigada, pergunte aos moradores do entorno do Canal da Integração construído pelo então governador do Ceará, Ciro Gomes, o que eles acham da presença das grandes empresas de fruticultura na Chapada do Apodi cearense e o acesso que eles tem sobre aquela água. É que por lá a água tem dono, e não são os moradores locais. Experimente ter que amarrar a si próprio em uma estaca para descer em um canal e conseguir uma lata de água durante a madrugada correndo o risco de ser pego por seguranças e ainda ser acusado de roubo. Nem todos são convidados para o banquete do progresso da agricultura em grande escala e mecanizada do Apodi.
a agua que voce nao ve

Quero tratar também de outra forma de comercializar/mercantilizar/privatizar a água. É sobre o que vem acontecendo com a administração das distribuidoras de água do nosso país. Desde a Era Collor de Mello, aprofundando-se no “reinado” de Fernando Henrique Cardoso e nos governos petistas, a posse deste serviço pelos estados e municípios vem sendo lentamente desconstruída e repassada para empresas privadas. Não tenho nada contra as empresas privadas, mas água é importante demais para ficar sobre o controle de algumas empresas. Privatizar pode significar privar as pessoas do acesso a um bem natural em muitos casos. Se você não pode pagar a conta da água, você será privado do acesso a ela nas torneiras da sua casa. Empresas privadas precisam pagar funcionários, impostos e ter lucro. E quanto mais lucro melhor para garantir a sobrevivência no mundo cruel dos negócios. É a natureza delas. Goste-se ou não, é assim que funciona. Se você pensa que é diferente, pergunte aos bolivianos sobre a relação nada amigável entre eles e a empresa estadunidense Bechtel que administrou a distribuição da água por lá e causou tamanho revolta com o aumento das tarifas impagáveis pelos mais pobres e o consequente corte da água para as suas casas. Não por acaso, aconteceu a chamada Guerra da Água causando a morte de mais de setenta pessoas nas ruas de Cochabamba no ano 2000. Pode também perguntar aos franceses por que as empresas distribuidoras de água na França, que por décadas foram administras por empresas privadas, passaram a ser re-estatizadas em vários municípios de lá, incluindo Paris. No entanto, o Brasil segue o caminho da privatização da água já fracassado em outros países. Por que será?
A linguagem não é neutra. Mas o que há entre a não neutralidade da linguagem e a privatização da água no Brasil? Simples: ela é utilizada a favor da justificativa do repasse das nossas águas para as mãos de multinacionais. Você lerá/verá/escutará cada vez mais que a água é um bem econômico e assim deve ser tratada. Interessante é que nunca se afirma que por isso mesmo ela deva ser administrada pelo Estado e gerar mais dividendos para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes. Outro artifício linguístico é falar em concessão do saneamento básico. Concessão é com-ceder, ceder o que se tem para outrem. No Brasil o governo diz conceder para passar a ideia de que a estatal continuará a pertencer ao governo, mesmo que ela passe a ser administrada por uma empresa privada tirando todo o poder governamental sobre a mesma. Tenta-se fantasiar o boi de cavalo. Será difícil retomá-la para o âmbito governamental em um país onde o mundo privado já domina os governos. Com relação a palavra saneamento, o primeiro lampejo mental para a população em geral é lembrar de esgoto. Quem não quer melhorar a situação do acesso e tratamento dos esgotos brasileiros. Você acredita que as empresas privadas vão sair por aí cavando asfalto para promover o aceso aos esgotos nas nossas favelas? Sejamos sinceros, onde já tem será mantido, onde não tem, não terá por iniciativa delas.
Um outro elemento linguístico utilizado para ajudar a convencer a todos da boa natureza da privatização da água é o discurso da escassez para amedrontar a população. Esta é outra estratégia que vem dando certo. Não que a escassez não exista. Ela é real e mortífera em várias partes do globo. Mas onde não é realidade ou não tão impactante, a escassez tem sido amplificada por parte da mídia. “Ficaremos sem água”, “a água está acabando,” “é preciso economizar água,” “Não desperdice água,” “o desperdício é causado porque a água é gratuita,” etc. Não há no mesmo discurso o chamamento da atenção para o fato de que 70% da água doce no planeta são gastos com irrigação e menos de 10% em uso doméstico. O discurso é tão eficaz, que existem crianças policiando o banho dos pais. Não que não devamos economizar água, longe disso. O problema é culpar o usuário comum quando ele não é o grande vilão da história.
Outro bom exemplo da linguagem a serviço da manipulação é a forma como o atual governo e as mídias encontraram para retratar as negociações para as privatizações das estatais da água. Primeiro era por meio da Parceria Público Privada – PPP. Então surgiu agora o Programa de Parceria de Investimento – PPI. Tudo falácia. No final é o dinheiro público financiando a compra das empresas públicas por empresas privadas e ainda com garantia de lucros nos contratos. Sem essa garantia, os grupos econômicos não consideram a amizade com o governo tão sincera.
O bom e velho BNDES foi acionado pelo governo da vez para ajudar a “democratizar o saneamento” com o PPI. Bondade não tem limite para este Banco de Desenvolvimento. E seus atos bondosos incluem a pressão para que os estados concedam a administração das suas distribuidoras de água para a privatização, digo, concessão (mas é privatização, mesmo). A fila vai começar com a CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. O BNDES está financiando grupos econômicos que queiram entrar no negócio da água e 18 estados estão na fila para entregar o leite a um bebê faminto.
Mas se engana quem pensa que as multinacionais da água ainda vão chegar. Hoje o Brasil já tem 17 milhões de pessoas, em 12 estados brasileiros, são atendidas na distribuição de suas águas pela Bookfield, uma multinacional canadense. Ela comprou esta “fatia do mercado” da Odebrecht Ambiental. Parece pouco, mas o valor da transação foi de quase 3 bilhões de reais. Não é um mercado para qualquer um, como se vê.
O Ouro Branco, como é chamada a água em contraposição ao título de Ouro Negro dado ao petróleo, é um bom negócio, mas não para as populações carentes. Em um pequeno livrinho chamado O Manifesto da Água (2002), de autoria Riccardo Petrella e em outro livro publicado pela canadense Maude Barlow intitulado O Convênio Azul: a crise global da água e a batalha futura pelo direito a água (2009) [2], as consequências negativas para as comunidades e positivas para as empresas estão descritas com vários exemplos ao redor do planeta. São Paulo conhece bem as negativas quando sofreu um choque com o racionamento provocado pela ideia do lucro primeiro, população depois. É que 49,7% da Sabesp pertencem a empresas privadas. Vários analistas da questão hídrica culparam a empresa por não ter investido na melhoria da infraestrutura por anos, uma das causas do problema. Teoricamente o governo paulista tem maioria de 0,3 para a tomada de decisões. Mas nós todos sabemos como falham as teorias…
O avanço das ondas das novas privatizações vem como um tsunami. O problema é que agora não há mais estatais como Vale do Rio Doce, Embraer, Telebras, Rede Ferroviária, etc. Tudo já foi vendido nos anos noventa. Se é preciso satisfazer a sede dos grupos econômicos, que venha a bebida disponível no momento e esta é a água nossa de cada dia.

Flávio José Rocha da Silva é doutor em Ciências Sociais

[1]Há várias maneiras de calcular o gasto com á água na produção de alimentos. Escolhemos o da Waterfootprint que pode ser acessado no link http://www.pegadahidrica.org/?page=files/home


(Outras Palavras/Envolverde)